Elaboração de Projetos para Estabilização e Restauração das Ruínas da Igreja de São Miguel Arcanjo, em Baía da Traição-PB

Ruínas da Igreja de São Miguel Arcanjo em Baía da Traição-PB

A Estilo Nacional foi contratada pela Superintendência do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional na Paraíba (IPHAN-PB), para elaborar projetos para estagnar e reverter o processo de degradação das ruínas da Igreja de São Miguel Arcanjo, localizada na aldeia indígena Potiguara de São Miguel no município de Baía da Traição-PB. Fazem parte do escopo a elaboração do projeto arquitetônico de restauração, com previsão da devolução do uso eclesiástico do bem cultural à comunidade, além de projetos complementares de engenharia.

As ruínas foram tombadas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado da Paraíba (IPHAEP) em 1980, por meio do Decreto Estadual nº 8.658/80.

A construção do templo é controversa por parte dos historiadores. Em uma das versões foi construída pelos padres da Companhia de Jesus no início do século XVIII, a fim de dar assistência aos indígenas e aos soldados do fortim existente na Baía da Traição. Passou à condição de Matriz quando foi criada a Freguesia de São Miguel da Baía da Traição em 1840 (Lei nº 14 de 12 de novembro 1840), embora sua construção tenha permanecido inconclusa; em outro texto se afirma que sua construção é atribuída aos holandeses calvinistas, com data de início em 1701 e sendo criada a Freguesia de São Miguel da Baía da Traição em 1762.

Se admitindo a primeira versão, trata-se de uma construção jesuítica com características barrocas, medindo 26,40m de comprimento por 10,40m de largura. Supõe-se que a igreja não foi concluída devido à saída dos missionários jesuítas do local.

Baía da Traição é o termo pelo qual os colonizadores portugueses denominaram a baía situada defronte a atual cidade sede do município, em virtude de nela os índios potiguaras haverem trucidado muitos portugueses da frota de Gonçalo Coelho. Até então, os índios potiguares denominavam a baía de Akaîutebiró, que significa “cajueiro estéril” (akaîu, cajueiro + tebiró, sodomita, estéril ou azedo). O nome indígena influenciou a formação do antigo nome da baía da Traição, “Acajutibiró”.

Escritos neerlandeses da Descrição geral da capitania da Paraíba confirmam a origem de tal nome:

«(…) A baia da Traição, que já tinha a esse tempo nome português, em consequência do fim lamentável que aí tiveram algumas pessoas da expedição de Gonçalo Coelho (1501).»

O termo Baía da Traição aparece pela primeira vez na carta que Américo Vespúcio enviou ao então rei de Portugal, Manuel I, «O Venturoso», em 1501, relatando suas descobertas no litoral nordeste do Brasil. Em tais escritos ele narra:

«(…) navegamos por dias e dias até encontrarmos porto seguro. Então mandamos quatro dos nosso à terra, para barganhar com mulheres índias que nos acenavam de um alto. No meio da conversa [com tais índias] os mancebos foram mortos a pauladas pelas costas, assados e devorados.»