Capela N.Sra. da Boa Morte em Belo Vale-MG

Capela de Nossa Senhora da Boa Morte, em Belo Vale-MG

A Promotoria Estadual de Defesa do Patrimônio Cultural e Turístico de Minas Gerais, na figura do Promotor Marcos Paulo de Souza Miranda, realizou em fevereiro de 2011 reunião para discutir sobre medidas necessárias para a preservação das Igrejas Matriz de São Gonçalo do Amarante, Sant’Ana do Paraopeba e Boa Morte, situadas em Belo Vale. O Promotor ressaltou a importância histórica dos templos e a posição do Ministério Público Estadual (MPE) no sentido de resolver problemas existentes de forma consensual.“Há possibilidade de se destinar recursos por meio de medidas compensatórias em licenciamento ambiental (FUNDIF), com base em bons projetos sob o aspecto técnico”, afirmou.

A responsabilidade para a execução do projeto arquitetônico da Matriz de São Gonçalo do Amarante ficou a cargo do Instituto Yara Tupynambá e os representantes da  Associação do Patrimônio Histórico, Artístico e Ambiental de Belo Vale (APHAA-BV) manifestaram interesse em acompanhar as ações para o projeto de restauro da Capela da Boa Morte.

Foi aberta uma concorrência para que empresas especializadas, com base nas orientações e metodologias estabelecidas pelo IEPHA-MG e IPHAN apresentassem suas propostas. Cinco empresas visitaram a Capela e entregaram orçamentos no tempo determinado. APHAA-BV e Memorial da Arquidiocese de Belo Horizonte analisaram os trabalhos apresentados com base no aspecto técnico e custo, tendo sido vencedora a Estilo Nacional.

A Capela de Nossa Senhora da Boa Morte

O início da construção da Capela de Nossa Senhora da Boa Morte é tão antigo quanto seu arraial homônimo, o qual tem origem na primeira metade do século XVIII. Como era costume no período colonial, estas edificações tinham a preeminência nos arraiais e, em torno das mesmas, constituía-se a vida urbana dos povoados. Na legislação vigente, recomendava-se que os templos deveriam situar-se em sítios altos e decentes e, assim, eles marcavam sua presença soberana como espaços articuladores da malha urbana e da composição da paisagem.

As primeiras referências que constam sobre a capela de Nossa Senhora da Boa Morte datam da década de 1730 e são formadas por registros de batizados da Paróquia de Nossa Senhora da Conceição de Congonhas, a maioria de filhos de escravos. A data inscrita no frontispício do edifício, porém, é 1760 e corresponderia ao término da sua construção. Neste sentido, documentos do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (IEPHA- MG) também referem-se que a Igreja foi fundada em 1760 pelos portugueses Paiva Lopes e Gonçalo Álvares.

O Projeto de Restauração

O projeto elaborado está alicerçado na teoria brandiana e na releitura de aspectos do chamado restauro crítico. Os princípios que guiam nossas propostas também podem ser encontrados na Carta de Restauração de Atenas (1931) e na Carta Italiana de Restauro (1972).

Seguindo o conceito encontrado no restauro científico – “de que é imprescindível que todas as etapas de vida do monumento sejam valorizadas, e que os acréscimos à obra original só sejam eliminados quando afrontem as suas qualidades artísticas” -, vem uma das principais decisões do projeto, a de trabalhar com a estrutura consolidada, respeitando seus acréscimos, ou seja, mantendo o volume atual da capelas laterais e as demais alterações já incorporadas ao longo dos anos.

A proposta de intervenção para o adro tem como objetivo requalificar o entorno imediato da capela. O projeto inclui a estabilização das contenções em pedra, construção de sistema de drenagem para afastar a umidade ascendente e de barreira química contra insetos (formigas e cupins), além da manutenção do gramado e das espécies vegetais existentes. Propõe-se a demolição dos elementos não originais que descaracterizam o conjunto, como o muro em blocos de concreto construído sobre a mureta de pedras canjicadas e os banheiros.

Para garantir a segurança dos usuários e a adequação às normas de acessibilidade (NBR 9050), será construído passeio com rebaixo desde a rua da Praça. Pautadas nos preceitos de mínima intervenção e reversibilidade, os guarda-corpos em estrutura metálica deverão ser instalados a cerca de 30 cm do muro canjicado, e a rampa junto à porta transversa será removível, confeccionada em estrutura metálica.

Entendendo a autenticidade do bem como sendo sua atual configuração, adquirida ao longo dos anos, propõem-se medidas que visem a conservação da matéria e a preservação dos dotes artísticos capazes de remeter a edificação a um determinado período histórico e artístico. Em resumo, a Capela de Boa Morte será objeto de ações que visem a conservação de seus elementos construtivos e que permitam otimizar o seu uso adequado.

EQUIPE:
Coordenadora: Marílis Mendes
Consultoria em restauro: Dra. Selma Melo Miranda
Arquiteta e Urbanista: Carolina Angrisano
Arquiteto e Urbanista: Edilson Borges
Historiadora: Flávia Klausing
Estagiários: Carolina Chiodi, Júlia Faria e Júlio Fagundes
Projetos Complementares: RA Engenharia

CONTRATANTE:
Associação do Patrimônio Histórico, Artístico e Ambiental de Belo Vale (APHAA-BV)

APROVAÇÃO:
Mitra Arquidiocesana de Belo Horizonte

ANO DO PROJETO:
2011