Casa Slonina em Itaiópolis-SC

Casa Slonina, localizada no Núcleo Histórico Alto Paraguaçu, Itaiópolis-SC

Em agosto de 2011 a Estilo Nacional foi contratada pela Prefeitura Municipal de Itaiópolis-SC para o desenvolvimento de 08 (oito) projetos de restauração em edificações de madeira.

Localizado na região Norte de Santa Catarina, junto da divisa com o estado do Paraná, o Planalto Norte recebeu uma série de influências que se sobrepuseram e se mesclaram, reverberando na cultura construtiva e na paisagem. À presença indígena, se sobrepõe as levas de caboclos, e depois a colonização europeia, com presença marcante de alemães e eslavos (poloneses e ucranianos), mas também de russos, suecos, belgas, austríacos, suíços, noruegueses, tchecoslovacos e dinamarqueses.

Integram o escopo do contrato o Açougue Narloch, a Casa Slonina, a Escola Moeminha, o Moinho Buba de Itaió, o Moinho Buba de Poço Claro, o Moinho Felipe Werka, o Moinho João Landowski e o Moinho Kollross.

Três dessas edificações (Narloch, Slonina e Kollross) localizam-se no Núcleo Histórico de Alto Paraguaçu, bairro tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional devido ao seu elevado valor histórico e paisagístico no contexto do patrimônio cultural da imigração europeia.

O objeto de intervenção refere-se a uma edificação residencial construída na década de 1920, pela família do Sr. Kazemiro Słonina. O imóvel, em estrutura estaiada de madeira com vedação no mesmo material, segue a tipologia de casas eslavo-paranaenses edificadas no início do século passado, por imigrantes de origem polaca. Em seu acervo de bens artísticos e integrados, constam-se lambrequins de madeira na cobertura e meticulosa pintura parietal policromada com motivos geométricos. Atualmente, parte dessa pintura encontra-se coberta, cujos resquícios têm sido degradados em função do mal estado de conservação do edifício.

A restauração reparadora da Casa Słonina propõe a substituição de materiais que apresentam índice avançado de deterioração, mas que ainda não atingem a degradação da unidade potencial. Ou seja, a matéria original possui perdas pontuais que podem ser recompostas sem que se resulte em um um falso histórico e que, tampouco, influa negativamente na matéria subjetiva que faz da Casa Słonina um bem de excepcional valor. A exemplo, são previstas as trocas de telhas quebradas, a complementação de tabuados e/ou troca de peças carcomidas ou apodrecidas por umidade, a higienização dos materiais e a aplicação de produtos que prolonguem sua vida. Como intervenções maiores, mas que não ultrapassam a linha tênue da reparação, estão a complementação dos lambrequins que se perderam com o tempo e o fechamento dos guarda-corpos do alpendre e da varanda. Haverá a restauração das pinturas artísticas parietais presentes em alguns cômodos do imóvel, estas tomam também como diretrizes a não reconstituição total, mas sim a manutenção da pintura existente e a estratificação, demonstrada por intermédio de janelas de prospecção, das pinturas anteriores.

A Casa Słonina possui a particularidade das casas de madeira construídas pelos imigrantes eslavos no sul do Brasil de não possuem banheiros. Torna-se essencial, dentro do conceito de adaptação, apresentar uma solução que incorpore este novo cômodo que faz parte das necessidades arquitetônicas intrínsecas ao homem moderno. A evolução dos usos relacionados aos lares em todo o mundo implora por soluções reversíveis nos edifícios que possuem valor cultural. O banheiro foi, dessa forma, inserido em um cômodo de uso secundário (depósito) e que por sua vez recebe técnicas construtivas com materiais leves e perfeitamente reversíveis, caso em dado momento se julgue necessário voltar ao seu uso original. Destarte, o uso da edificação em si, pela qual foi construída/planejada – o uso residencial, se manteve por todos os anos consecutivos à sua construção, estabelecendo-se mais um vínculo positivo na sua preservação.

EQUIPE:
Coordenador: Edilson Borges
Historiadora: Flávia Klausing
Arquiteta e Urbanista: Isabella Correa
Engenheira Civil: Iara Abreu
Estagiários: Gabriella Gobbi e Júlia Faria 

CONTRATANTE:
Prefeitura Municipal de Itaiópolis-SC

APROVAÇÃO:
IPHAN - Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (11ª SR - Santa Catarina)

ANO DO PROJETO:
2011/2012