Conjunto Ferroviário de Miguel Burnier em Ouro Preto-MG

A Estilo Nacional foi contratada pela Prefeitura Municipal de Ouro Preto, já no final de 2009, para desenvolver o Projeto de Restauração do Conjunto Ferroviário de Miguel Burnier. Tal iniciativa se deu como fruto da celebração em 1º de dezembro de 2009 de um Termo de Compromisso entre o Ministério Público do Estado de Minas Gerais, o Ministério Público Federal, a Prefeitura Municipal de Ouro Preto, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional e a Secretaria de Patrimônio da União para a preservação do patrimônio histórico e cultural do município.

Foto aérea do conjunto ferroviário de Miguel Burnier. Vila de Miguel Burnier, Ouro Preto–MG

O Conjunto Arquitetônico da Estação Ferroviária de Miguel Burnier está intrinsecamente ligado ao desenvolvimento do pequeno arraial de São Julião, posteriormente rebatizado com o nome do Engenheiro Chefe da Estrada de Ferro D. Pedro II na região, em 1884. Sua construção iniciou-se na metade da década de 1880, como forma de ligar a capital mineira à capital do Império e também como alternativa para a redefinição das atividades econômicas na região hoje conhecida como “quadrilátero ferrífero”. Na época do início das obras pairava sobre a sociedade ouro-pretana a ameaça da mudança da capital mineira, o que acabou se concretizando na década seguinte. A despeito disso, a existência da estrada de ferro amenizou o impacto que tal ato governamental certamente teve sobre a economia da região.

Na estação que inicialmente se chamava São Julião ocorria o entroncamento da “Linha do Centro” da Estrada de Ferro D. Pedro II com o “Ramal de Ouro Preto”. Os trilhos se estenderam até Ponte Nova no início do século XX, e o ramal foi rebatizado com o nome da cidade onde se localizava o ponto final da linha férrea. Ao redor da estação de Miguel Burnier e das demais construções que serviam aos funcionários da ferrovia cresceu uma comunidade que na década de 1940 chegou ao pico de mais de três mil habitantes. O núcleo dessa população era conformado pelas instalações ferroviárias, onde as pessoas podiam encontrar os amigos, namorar, realizar festas e celebrações religiosas.

Abandonado, o conjunto ferroviário de Miguel Burnier vem sendo destruído. Parte deste conjunto felizmente será contemplado por ações de salvaguarda, contudo, levando-se em conta toda a arquitetura produzida e diretamente ligada à ferrovia (balança mecânica, túneis, residências, plataformas, etc), esta iniciativa ainda deixará lacunas, pois toda esta produção arquitetônica continuará à mercê de ações destruidoras.

As edificações contempladas pelo projeto são: Estação Miguel Burnier, Dormitório, Oficina e Caixa d’Água. Seguindo as premissas do restauro contemporâneo, que em muito incentiva a salvaguarda do patrimônio ferroviário, o projeto arquitetônico apresentado visa atender às demandas da comunidade, adequando as edificações à múltiplas funções, ressaltando sempre, o seu caráter prioritariamente cultural.

EQUIPE:
Coordenadora: Arq. Marílis Mendes
Historiadores: Flávia Klausing e Raul Lanari
Arquitetos e Urbanistas: Carolina Angrisano, Edilson Borges, Priscila Mourão, Paula Maia e Paula Vilela
Engenheira Civil: Iara Abreu
Estagiários: André Nogueira e Carolina Chiodi

CONTRATANTE:
Prefeitura Municipal de Ouro Preto

APROVAÇÃO:
IPHAN - Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (13ª SR - Minas Gerais)

ANO DO PROJETO:
2010/2011